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Como escrevi um romance em 20 dias


Este post foi escrito pelo Maicon Moura e você pode ler o original aqui (leia, além do texto tem ótimos gifs também).


Maicon Moura é autor de "Não quero patos elétricos", lançamento aqui na Editora Lettre. Você já foi garantir o seu?

Isso mesmo, vinte dias. Qual o meu segredo?


Coloque a meta de descobrir o que acontece com uma pessoa quando ela passa a dormir apenas quatro horas por noite em 20 dias. Não é bem assim.


Estou fazendo um drama. Não foi um monstro de sete cabeças, nem mesmo foi algo tão incrível como parece ser.


Sei que muita gente quer escrever um romance e luta por isso faz bastante tempo. Acredite, eu entendo bem como é.


Quero te contar essa fase que tive.


Pense num sonho. O ano é 2016 e eu estou cursando contabilidade.


Não pergunte.


Antes disso eu já sonhava em ser escritor. Queria escrever romances e aventuras que passeavam pela minha cabeça. Mas, faltava coragem, sabe?


Nesse tempo, eu fiquei sem escrever nada, até 2016. O ano, ele mesmo. O da contabilidade.


Por algum motivo, no meio do segundo bimestre acordei com uma ideia.


Uma ideia boa por sinal.


Sabe aquela ideia que faz o canto da sua mente coçar?


Ela faz o canto da sua boca subir num sorriso discreto e você quer pular por aí como se estivesse apaixonado, entende?


Foi isso que aconteceu. Uma energia passou por mim, e uma ideia apareceu em minha mente.


Para um rapaz que não escrevia e, até sinto vergonha em dizer isso, não lia há algum tempo, escrever seria muito difícil.


Por uma semana não dei atenção. Até que a ideia voltou. Ela ficou em minha mente por alguns dias, até que certa manhã acordei recitando algo que parecia ser um conto.


Corri para colocar no papel e foi aí que nasceu a ideia para “No banco de trás”, um romance de horror sobre um serial killer, muita gente morta e que nunca foi finalizado.


Sou brasileiro. Não desisto, não é?


Saí da faculdade de contabilidade em 2016, decidi escrever todo o livro na mão, página por página daquele caderno do governo, lembra, aquele marrom com cheiro estranho.


Isso, o reciclável.


De 2016 a 2020 foram cento e vinte páginas escritas a mão. Um monte de folhas contando a história de um assassino dentro de um táxi contando sua história.


Quatro anos de procrastinação. Anos de raiva e com muita vontade de desistir.


Foi em março de 2020 que vi a notícia, ou foi em fevereiro, não recordo agora.


“Aberto edital para originais. Os Originais selecionados serão publicados no modo tradicional”.


Estava pronto para recomeçar


Naquele mês eu tinha um monte de folhas e nenhuma vontade de continuar escrevendo aquilo.


Parecia uma âncora me segurando. Precisei fazer algo.


O que eu poderia fazer?


Bom, joguei tudo fora.


A data na publicação era para dali a vinte dias. Eu tinha que tomar vergonha na cara e começar a escrever um livro.


Foi aí que começou a jornada dos patos.


Numa noite, enquanto dormia julgando a minha falta de atitude em escrever um romance, algo veio até mim. Outra ideia. Uma pequena luz que coçou minha cabeça no meio da noite, mas dessa vez não fez efeito algum.


Nesse período eu trabalhava numa loja de fraldas, e no dia seguinte, após descer do ônibus, o canto da minha boca subiu, uma energia passou pelos meus braços e eu sabia o que queria fazer.


"Vou escrever um romance sobre os patos."


Então veio o planejamento


Acredito que esse tenha sido meu primeiro passo, após pesquisar diversas receitas de bolo pela internet de como escrever um livro.


Foi quando conheci a escaleta.


Escaleta basicamente é o osso da história, falei sobre ela neste post e até deixei disponível a que eu usei para fazer patos e é a que costumo usar até hoje.


Planejar é o mais importante mesmo. Saber seus limites e entender quantas palavras quer escrever, como tudo vai acontecer, vai te salvar do bloqueio criativo.


Falo isso, porque nessa jornada louca, eu precisei criar uma rotina nada saudável para que desse tempo de entregar uma história que fizesse sentido para a editora.


Acordava às 4h30 da manhã. (uma luta)

Deixei um copo perto da cama, treinei meu cérebro a levantar e lavar o rosto. Coloquei o despertador em outro cômodo e principalmente coloquei uma música que me forçasse a levantar e ir desligar o despertador antes que enlouquecesse.


• Escrevia até as 7 da manhã.


O objetivo era sempre finalizar de um a dois capítulos pela manhã, todo dia.


• 8 horas ia pegar o ônibus para o trabalho.


O plano aqui era o seguinte, ler no ônibus o que eu escrevi de manhã, anotar o que poderia ser alterado e à noite corrigir. Problema: eu passo mal se leio no ônibus.


• Às 19h chegava do trabalho.


Tomava banho e corria para a frente do computador, corrigia as coisas que consegui ler no ônibus antes de vir a ânsia e começava um pouco dos próximos capítulos.


Foram cerca de quinze dias assim. Assumo que falhei em alguns. Tiveram noites que cheguei morrendo de dor de cabeça e quis apenas dormir. Tiveram manhãs que não saíam dois capítulos.


Acredito que quando foi chegando próximo do final, mesmo com o planejamento, foi ficando mais difícil.


Saber o que vai acontecer é uma benção e uma maldição.


Consegui fazer amizade com a minha voz de escritor


Descobrir a voz literária é importantíssimo, mas não é só de descobertas que vivem os autores.


A minha voz é um pouco difícil, eu gosto muito do humor, mas ela parece não querer ser a favor disso, então, brigamos muito até chegarmos num consenso de que eu quem deveria mandar nessa P#$% toda.


Fazer amizade com sua voz é entender que ela é sua voz, tiveram momentos em que eu queria parar o livro no meio e recomeçar porque pensava que aquela não era minha. Que aquela escrita não parecia eu falando. (E parece, meu Deus)


Aceite quem você é e seu jeito de falar, não tenha vergonha do que gosta, mesmo que ache estranho.


E então eu soube a hora de parar


Lembra que falei do fim?


Estar planejado é saber os passos que a história vai dar até o final.


Alguns amigos dizem que não conseguiriam escrever um livro porque não sabem ficar enrolando.


Quando você tem o final em mente e sabe o momento exato que vai parar, a história não será uma enrolação, mas sim um monte de escolhas que levarão para aquela consequência.

Portanto, se pensar que precisa enrolar numa cena só para ter mais páginas, pare e planeje, reveja onde está o problema.


Respirei, dormi um pouco e revisei


Nesses vinte dias tive apenas três dias para revisar e respirar.


A estratégia foi:


Chegar mais cedo no trabalho, usar a impressora do chefe e imprimir todas as páginas do livro. Foi como a missão impossível.


Suor escorria pelo braço, pela testa e dava até dor de barriga só de pensar que poderia ser pego imprimindo 120 páginas.


Seguindo o plano, deixei as folhas com minha noiva para que ela fizesse a primeira revisão. Nesse período respirei um pouco e dormi como o corpo pedia.


Após ela revisar, foi minha vez de fazer a correção no arquivo digital. Vamos para mais uma missão impossível, mais 120 folhas. Mais suor e dor de barriga.


Obs.: todas as folhas foram reutilizadas como rascunhos.


Segunda revisão acontecendo e essa fiz junto da minha noiva, cada um lendo um capítulo.


Até que finalizamos meio-dia da data definitiva para envio do original.


(toca Queen)


Depois disso foi apenas espera. A editora levou duas semanas para responder. Bom, como você deve imaginar a resposta foi simples:


"Infelizmente seu livro não poderá ser publicado pela editora, pois ficção científica não funciona no Brasil"

Eu sei, também queria jogar uma cadeira.


Sou brasileiro. Não desisto, não é?


Mandei para um monte de editoras, pensando:


"Não funciona, vou te mostrar o que não funciona"


Não recordo quando recebi a mensagem positiva da editora que o publicou. Mas, consigo lembrar da minha felicidade. Dizem que temos que ser felizes no processo.


Acredito que fui muito feliz nessa jornada corrida e estou mais feliz agora que ele chegou.


Por fim, quero deixar uma mensagem rápida:


• Não se prenda a dicas de internet, nem tudo que eu disse aqui vai funcionar para você, nossos ritmos são diferentes.


Você pode escrever um livro em um dia, quem sabe?


Faça as coisas em seu ritmo, não tente dançar na mesma velocidade que o outro. Ouça sua música e deixe as coisas acontecerem.


Entretanto, não esqueça de planejar.


Planejamento é a melhor forma de controlar um projeto.


Obrigado por ler até aqui, espero que goste de patos! Foi uma jornada incrível e é uma história muito divertida que vale a pena parar para ler.

***

Maicon Moura

— Tenho 24, sou noivo de uma incrível fotógrafa e dono de um grande cachorro chamado Willi Nelson — Uiu para os íntimos — Sou escritor, ilustrador e designer, veja meu trabalho no Instagram.


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