Desafio literário — indicações de setembro


Mais um mês se inicia e, como já virou tradição, estamos aqui para dar indicações nacionais para o nosso Desafio Literário. E a categoria de setembro não é nada fácil: um livro com um título bem diferente.


A ideia aqui é nos divertirmos, comentando sobre livros que despertaram a nossa atenção por causa do título. É bem interessante pensar que um título muito diferente é sempre um risco, uma vez que a primeira coisa que desperta a curiosidade do leitor é a combinação capa + título. Diversos autores, por sugestões externas, acabaram mudando seus títulos antes de publicar uma obra. Mas alguns sobreviveram a essas sugestões! E claro que a primeira menção tem de ser um livro da casa, né?


Não quero patos elétricos (Maicon Moura)

Como nas histórias espaciais, nesta também temos um humano e um robô viajando por planetas, caçando recompensas. Porém, tudo isso muda quando Craig, o robô, confidencia a seu amigo Adam, o humano, que está morrendo. Os dois partem para uma aventura pelo espaço, descobrindo segredos do governo, e fugindo da polícia intergaláctica para conseguir realizar o último desejo de Craig: ver um pato de verdade.


Só de ler a sinopse, já dá para perceber que o título não é totalmente absurdo, não? E, do mesmo autor, temos mais uma indicação. Em ambos os casos, para adquirir a versão física, entre diretamente em contato com o Maicon.


Cigarro e anéis no rabo do gato (Maicon Moura)

Essa coletânea do autor de Não Quero Patos Elétricos, não é como o primeiro romance do autor. Aqui o humor não tem vez. Dores, emoções e problemas que temos que lidar são apresentados por personagens que vivem para sempre ou que vivem a ansiedade de rochas gigantescas destruírem seu planeta. Nesta coletânea de cinco contos, você conhecerá um jeito diferente de contar histórias. Algo intimista está por vir. Sente-se, abra seu coração e venha conhecer um futuro não tão perfeito assim.


Os piores dias de minha vida foram todos (Evandro Affonso Ferreira)

Em Os piores dias de minha vida foram todos, o leitor se vê diante de um diálogo imaginário da narradora – uma mulher em um leito de hospital – ao caminhar nua pelas ruas da metrópole. Em seus devaneios, observa a vaidade humana enquanto relembra suas perdas e a relação com o amigo escritor falecido. Assemelha seus dramas aos da figura mitológica Antígona. Evandro Affonso Ferreira exerce um ritmo acertado para a personagem que já não vê mais esperança na vida. Com este livro Evandro atinge o ápice de suas histórias começadas em Minha mãe se matou sem dizer adeus. Trata-se do notável arremate da trilogia composta também por O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam.


Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu)

Em sua obra mais célebre, publicada em 1982, quando tinha trinta e quatro anos, Caio Fernando Abreu faz transbordar de cada página a angústia, o desassossego e o estilo confessional que o consolidaram como uma das vozes mais combativas e radicais de sua época. A prosa visceral dos dezoito contos de Morangos mofados — potencializada pela hesitação coletiva de um país que vislumbrava a redemocratização ante a falência incipiente do regime militar — traduziu as inconstâncias humanas mais profundas e continua, ainda hoje, arrebatando leitores de todas as gerações. Para José Castello, que assina o posfácio desta edição, embora seja um livro de narrativas curtas, "a obra mantém uma férrea unidade, em torno da coragem de se despir, da fidelidade aos sentimentos mais íntimos e mesmo os mais terríveis, e ainda à dificuldade de ser".


Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar (Adrielli Almeida)

Kaio tem um segredo: ele consegue ver fantasmas. Na realidade, às vezes os mortos o procuram e o garoto precisa fazer favores para que eles possam descansar no pós-vida, ou seja lá para onde os fantasmas vão. É graças a essa pequena habilidade peculiar que, em uma noite qualquer, ele se vê obrigado a ajudar uma celebridade que acabou de morrer e não sabe o que fazer a seguir. Como um bom mediador de fantasmas, Kaio tentará fazer o último desejo de Otávio Augusto se realizar, mesmo que para isso ele precise chamar seu melhor amigo para ser seu motorista e arranjar boas pás de jardinagem. ''Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar'' é um conto sobre três garotos que se veem unidos na situação mais bizarra e constrangedora possível, enquanto pensam sobre o que é realmente importante em suas vidas - ou mortes.


Transmorfo (Betina Winkler)

Maddie, Faith, Frankie, Alisha e Essie são Transmorfos, seres humanos com a capacidade de se transfigurarem em animais específicos, tendo assim acesso às habilidades e instintos de seus respectivos animais de transformação. Mas o mundo não é um lugar seguro para criaturas místicas com tais poderes. A fim de proteger tais segredos dos humanos comuns e para se manterem protegidos de caçadores odiosos, foi criada há muitos anos a Academia Linnaeus para Transformos. Situada em Winter Meadow, uma área imperceptível aos mapas nas montanhas polares do Alasca, a academia é conhecida como o lugar mais seguro para um Transmorfo viver. Mas será mesmo que a Linnaeus é um lugar completamente protegido? Um assassinato misterioso prova para as nossas cinco protagonistas que não é bem assim. E pior do que isso, são os bilhetes ameaçadores que vêm em seguida, prometendo ainda mais derramamento de sangue entre as paredes da Linnaeus. O assassino pode ser qualquer um. Em quem elas podem confiar? Quem será a próxima vítima? Até que ponto elas podem contar com seus instintos tanto animais quanto humanos? Maddie, sua ligação com os caçadores e seu antigo bando. Alisha e um enorme segredo que a levou até ali. Frankie com sua taciturnidade e aversão ao contato humano. Essie, suas inseguranças e a conexão com uma vítima. Faith com suas lutas clandestinas e segredos sobre sua família. A amizade que cresce entre elas cinco é sequer verdadeira? Segredos do passado, mensagens escondidas, sangue derramado, conversas sussurradas, lutas ilegais, escuridão, frio, ameaças, desconfiança, medo, morte. “Não há animal mais cruel que o ser humano”. Transmorfo é uma ficção juvenil de fantasia cheia de mistério, intriga, amizade, reflexões sobre o interior do ser humano e o extremo de seu instinto de sobrevivência. Até que ponto você seguiria os seus instintos?

E aí, já conhecia/já leu algum desses? Que livro você indicaria para esse desafio?


Ah, e se você chegou por aqui agora, não deixe de conferir nossas indicações anteriores:

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